Como é surpreendente essa coisa do interesse por um outro. É um algo que chega devagarzinho e, de repente, toma conta de tudo… É como um despertar para si mesmo! Para o que é bom, para o que é legal – para o que, como o ano, é novo!

A energia que o outro provoca em nós é deliciosa. Talvez por isso mesmo, a paixão tenha um algo de avassalador… Não dá para resistir. Não queremos de fato resistir… Queremos, sim, o outro.

Temos curiosidade e a vontade de saber como é. Se este outro sente o mesmo por nós, se também vive essa angústia, se se aproxima – sem mais nem porquê – ou se de fato há uma intenção inconsciente que o faz querer mais.

O que vai acontecer nos próximos momentos!? Como serão os movimentos!?

É, a “paquera”  é dessa mesma forma desde que me conheço por gente… Um querer sem nem querer, um ficar sem nem saber, um não sei explicar…

Uma sensação de descoberta que encanta. Assusta e embriaga… É afinal o começo da relação, da paixão, da transformação. Uma sensação estranha, por vezes indesejada e, ao mesmo tempo, bem-vinda. Um algo assim de não sei bem o por quê – mas que fascina…

Enfim, o que é isso que sentimos!?
Por que nos deixamos envolver?! Por que nos abrimos!?

Mais tudo

Bem, quero crer que fazemos tudo isso porque somos humanos. E porque a questão da química é real e existe. Temos uma necessidade mais que física de encontrar um outro alguém. Uma necessidade emocional, espiritual, mental – uma possibilidade que nos faz querer ser mais bonitos, mais inteligentes, mais prontos, mais!

A energia que o outro desperta em cada um de nós é por isso inesquecível… Em alguns casos não é nem o outro que conta, mas sim o como nos faz sentir… Faz-nos sentir mais especiais – os felizardos –, aqueles que foram escolhidos para viver um acordar…

‘Bobos-alegres’

E quantas vezes não encontramos esses “bobos-alegres” pela rua… Esses mesmos que ficam sorrindo à toa, olhando para o céu, perdidos na sua paixão. E agora vamos nós – simples mortais – ser também um deles…

Contaminados pelo amor, contagiados pela paixão, dependentes desse outro olhar que não é o nosso. Desse abraçar que nos desconcerta nos faz querer ser um!?

E agora!? Seremos mais um deles!? Vamos nos “empanturrar” com tanto amor!?

Aceitação

Se o momento chegou, o outro está lá, nos despertou, não há nada a fazer… A não ser confiar, se entregar e acreditar que está conosco tudo o que precisamos para o próximo passo…

Vai durar, não vai durar, vai dar certo ou não – isso fica para um segundo tempo… Uma coisa de cada vez. É preciso primeiro se descolar de toda essa preocupação para viver o momento. O momento que é único, que não volta, que influi na nossa mudança interna…

Por isso, se o outro está lá e mexe conosco o melhor mesmo é correr riscos. Experimentar, degustar, se lambuzar com esse sentimento que irá fazer com que nossa energia se renove e –, por que não? – enlouqueça  de prazer…

Depois, bem depois vemos como fica… Namoro ou amizade!? Há que dar-se a chance para poder saber o que de fato vai ser!

Sandra Maia*/Especial para BR Press