Já me passaram muitas mulheres pela vida, no entanto, nenhuma como ela. Não lhe primo a beleza, embora ela seja bonita e estonteantemente agradável à vista. Não lhe destaco o corpo, embora seja ele a fonte de todo o pecado. Antes pelo contrário realço o que vos parece invisível, a personalidade forte e charme natural.
Não são os olhos castanhos, é olhar transparente e incógnito. Não são as palavras escondidas, é o mistério que há nelas, o não saber nada dela. Não é a forma da boca nem a carnudez dos lábios, é a forma como encaixa um no outro e o modo como se delicia da sua propria boca. Não são os seios voluptuosos, é a forma como como ela os joga e os tapam sobre mim. Não é o rabo alinhadamente redondo, é a forma como ele mostra encaixar-se precisamente alí. Não são as pernas longas e os braços frágeis, é a gentileza do andar e a dureza do passo, o delicado absurdamente forte do pulso. Não é nada que possam ver , é só aquilo que alguns conseguem sentir.
E de todas as mulheres que me passaram pela vida, destaco-a por me mostrar isso mesmo: como uma mulher pode ser única e fazer-nos abandonar o mundo, (tudo e principalmente todos). Quando a conheci todas as outras pareceram de menos, quem estava ao meu lado pareceu tão drasticamente incapaz. Encantou-me a forma como ela acertava em todos os actos precisamente no momento certo e encaixava todos os meus pensamentos nas suas palavras, fazendo-me crer que me lia a mente. Como se me viesse para salvar do tédio em que tudo na minha vida tinha saudades de mim.
Quando me propôs uma relação proibida e escondida, pensei em todos os meus valores e todos se desfizeram em pequenos grãos de areia. Ela era agora o meu mar.
No entanto, eu perdi toda a minha força de homem para admitir que ela era a mulher da minha vida e deixei-a a sós na sua solidão de sedutora. Eterna e inata sedutora. Custou-me admitir que não era a mulher que tinha ao meu lado que eu desejava todas as noites, mas superei o facto de que nunca poder dar-lhe o grande homem que ela desejava eu ser.
Ela tentou todos os dias e quando eu quis abandonar todo o meu passado e começar com ela, ela vingou-se da minha covardia. Por isso não lhe destaco a cara e o corpo. Á (…) destaco-lhe a capacidade de dizer não e de saber exactamente o que quer sem rodeios ou falsas demagogias. O que ela quer, ela tem. Ela teve-me. Sou menos homem porque me passou pelas mãos “a mulher”. E sendo ela uma menina e um homem, não posso deixar de me sentir reduzido. Ela é a menina mais inocente e menos doce que eu conheço. Destaco-lhe a existência neste momento. Ela fez valer cada minuto que a perdi a escrever-lhe, a ligar-lhe… Fez valer cada minuto que passei com ela, Todos. E tenho tantas saudades. De tudo, dela e do que ela me fazia sentir. De dizer “Minha (…)”, minha mulher e sentir que ela era realmente minha, só minha, embora não fosse, nunca. E só me conforta saber que ela nunca será minha nem de mais ninguém, nenhum homem é capaz, apesar de ela achar que nos fazer pensar que sim é o melhor caminho… Falo assim de ti e não me ouves de qualquer maneira pois não? O meu erro foi crasso e fatal.
Acreditas em karma?
